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Brasileiros gastam 22% de sua renda para cobrir dívidas

A ampliação da acessibilidade ao crédito, que marcou o governo Lula e ajudou na ascensão da classe C no mercado, começa a exibir seu lado negativo. Segundo dados do Banco Central (BC), o comprometimento da renda do brasileiro com o pagamento de dívidas aumentou 6,9% entre 2003 e 2010. De acordo com o BC, em janeiro de 2003, o brasileiro precisava destinar 14,6% do seu ganho familiar mensal para a quitação de débitos. Oito anos depois, em dezembro de 2010, esse percentual havia passado para 21,4%.

Essas informações levam em consideração apenas as dívidas dos consumidores com os bancos, aquelas com crédito pessoal, com consignado (com desconto em folha de pagamento), com financiamento de veículos e com crédito habitacional. Como não estando incluídas as pendências com cheque especial e cartão de crédito, que embutem taxas de juros superiores a 10% ao mês e costumam fazer os maiores estragos no orçamento, estima-se que o real comprometimento do consumidor brasileiro com dívidas seja bem maior que os 22% apontados pela pesquisa.

Até porque, no geral, a maior parte das dívidas assumidas pelos consumidores é feita por meio do cartão de crédito. Somente em São Paulo, esta forma de financiamento é responsável por 70,3% do endividamento. Em seguida, aparecem os carnês (28,3%), o crédito pessoal (12,6%), o cheque especial (8,7%) e o financiamento de carro (7,9%). Os dados também mostram que do total de famílias endividadas, quase 50% têm pagamentos atrasados há mais de 90 dias e 26,8% estão com as contas atrasadas em até 30 dias.

A estabilidade da economia e a oferta abundante de crédito nos últimos anos levou o brasileiro a experimentar um pouco o estilo de vida de consumidores de Primeiro Mundo. Nos EUA, segundo o Federal Reserve (o banco central americano), as dívidas comem 17% da renda. É menos do que no Brasil, mas é preciso considerar a diferença de renda entre os trabalhadores dos dois países. Enquanto nos EUA a média chega a US$ 4,4 mil por mês, no Brasil o valor é de cerca de R$ 1,5 mil (US$ 882).

Para o futuro, a perspectiva é de que o crédito fique menos abundante e mais caro, o que virá a diminuir o aumento do endividamento. Em contrapartida, isso poderá significar que a capacidade de pagamento de dívidas piore com o acesso restrito ao crédito.

Por Mauro Gomes

Como Reduzir Gastos – Terceiro Passo: EDUCAÇÃO

Outro tema que está cada vez mais pesando a vida financeira do brasileiro é a educação. Mesmo sendo o fator mais importando para o futuro, a falta de incentivo governamental faz com que o cidadão arque com essa conta, estourando seu orçamento familiar.
De acordo com a nova Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os gastos com cursos superiores aumentaram 25% em dez anos, enquanto que com cursos de idiomas, os gastos mais do que dobraram nesse mesmo período (122,26%).  Este crescimento da demanda pelo ensino superior, e seu respectivo aumento das mensalidades, é resultado da política de expansão do ensino superior privado adotada no país. De acordo com Fábio de Castro, da Agência FAPESP, “quando o governo deixa de investir na educação, como ocorre no ensino superior, o cidadão é quem paga a conta e, quem não pode, fica excluído da universidade”.

Para ajudar nessa luta mensal, aqui vão algumas dicas da palestra de Saúde Financeira da Fernanda Guimarães para lidar com todas as fases da vida acadêmica.

1 – Mais de um filho em colégio particular? Então os matricule em um mesmo colégio e exija desconto. Caso o colégio negue, procure outra instituição que certamente irá proporcionar um estudo de qualidade aos seus filhos com bom custo financeiro à sua família.

2 – Os livros didáticos costumam ter um preço elevado para aquisição. Podemos economizar comprando livros em sebos ou livros digitalizados vendidos na internet. A qualidade do material não irá influenciar na sua compreensão do assunto.

3 – Hoje é possível encontrar cursos superiores com custos bem inferiores aos cobrados pelas universidades mais tradicionais. Certifique-se da qualidade do curso perante o Ministério da Educação e faça o seu curso superior com custo mais baixo. O bom profissional não precisa necessariamente se formar em uma universidade tradicional.

Por Gabriela Maslinkiewicz

Renda mensal ou anual – Qual é sua renda afinal?

Brasileiro tem mania de planejar seu orçamento mês a mês. Entra o salário, chegam as contas, e só se pensa em como escapar daquele sufoco. Chegar o mês seguinte e começar tudo de novo. Como escapar então desse sofrimento a cada 30 dias?

A melhor saída é planejar o orçamento para o ano todo. A maioria das pessoas recebe o mesmo salário todos os meses, apesar de existirem possíveis variações. As contas também costumam ser as mesmas: água, luz, telefone, colégio, aluguel. Só que existem as outras despesas e rendimentos que tem periodicidade anual e acabam não sendo percebidas desta forma no orçamento. E é quando chega o IPTU, o IPVA ou a anuidade dos Conselhos de Classe para os profissionais liberais que bate aquele desespero, como se fossem “imprevistos” dentro dos gastos mensais.

Por isso, o modo mais inteligente de se organizar é fazer um plano anual, que gerencie a renda e a despesa de todo o período. Assim, evitam-se as surpresas e os desgostos de lidar todo mês com apertos no orçamento. Sem falar que fica muito mais fácil equacionar e programar os pagamentos futuros.

E o contrário também vale. Ou seja, as “rendas extras” também devem entrar na programação do orçamento anual. Um bom exemplo de como fazer isso é desde logo planejar como vai ser gasto o 13º. salário. Ele é uma das grandes vantagens de quem tem carteira assinada, logo, o melhor é tirar o máximo de proveito desse benefício. Deixar para pensar o que fazer com essa renda extra na última hora aumenta a probabilidade que o seu destino seja algum supérfluo. Ainda pior, o 13º. pode dar a impressão de dinheiro de sobra, o que eventualmente leva a gastos que, no futuro, significarão mais dívidas.

Já notou que os americanos, ao serem perguntados sobre sua renda, automaticamente respondem o valor total anual recebido? Mesmo que muitas das tendências que vêm da “Terra do Tio Sam” não sejam, digamos, o melhor exemplo a ser seguido, esta forma de enxergar e planejar o orçamento familiar anualmente é muito proveitosa. Assim, vamos copiar as coisas boas também e chega de tratar como “imprevistos” os velhos conhecidos que batem a nossa porta todos os anos.

Por Fernanda Guimarães