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O que os financiamentos de veículos escondem: (6) Compra com cartão de crédito

Cobrar taxa adicional por pagar no cartão é ilegal.

E hoje no Na Ponta do Lápis o assunto é “Carro Novo ou Carro Usado?”. Qual a melhor opção de compra para quem está procurando um veículo?


Claro que não vamos recomendar que você financie a compra do carro no cartão de crédito. Pelo menos não no “rotativo”. As taxas estão entre as mais altas do mercado e podem chegar a mais de 400% ao ano! No entanto, comprar um carro novo ou usado e pagar com seu cartão de crédito pode ser uma boa ideia se conciliadas duas coisas: (1) não pagar nada mais por escolher esta forma de pagamento e (2) ganhar milhas ou pontos por fazer uma compra grande no seu cartão de crédito.

O objetivo aqui é, no final das contas, fazer a compra do carro (que seria mesmo realizada de alguma forma) e, de “brinde”, ganhar uma bela viagem de férias com a troca dos pontos por milhas aéreas ou o que mais desejar.

Muitas concessionárias de automóveis aceitam pagamentos por meio do cartão de crédito. A maioria até. Há o adesivo com o logo da bandeira do cartão na porta? Vamos lá! Se a empresa somente receber pagamentos no cartão para acessórios ou revisões, precisa informar isso claramente, em local visível, para que os clientes saibam que a compra do carro não pode ser feita assim.

Pode ser cobrada alguma taxa adicional por pagar usando cartão?

Evidente que não! Já falamos todos os motivos no post Pagamento no Cartão de Crédito deve ser pelo Preço à Vista! Insista. Discuta. Denuncie se for o caso.

Como saber se está sendo cobrada esta taxa?

Veja o contrato abaixo, onde o cliente pagou R$ 12.000,00 reais de entrada na moto nova e, na proposta oficial impressa, apareceu o pagamento de apenas R$ 11.670,00. Para onde foram os R$ 330,00? Segundo o próprio vendedor, para a concessionária, como pagamento dos “encargos” que serão pagos por esta à administradora do cartão de crédito. Mais um detalhe muito importante: peça uma cópia do contrato ou ao menos um resumo da transação (proposta de compra) na hora. No caso deste consumidor, como este documento ele conseguiu somente depois de assinado o contrato, ele só se deu conta que seus R$ 330,00 sumiram depois de uma semana.

E o prejuízo, na verdade, é maior ainda. Porque esses 330 reais foram, por óbvio, incluídos no financiamento do valor restante, o que fará com eles virem, nos 24 meses do contrato, quase 1 mil reais!

Clique na imagem para ampliare veja o que mais procurar num contrato de financiamento.

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Nesse caso, tem como conseguir a devolução do que foi pago indevidamente?

 
Sim. Basta comprovar o pagamento no seu cartão de crédito e juntar com a informação do contrato. Qualquer pessoa conseguirá identificar uma “diferença” no valor informado como entrada e esta simples comprovação é suficiente para o pedido judicial ou junto aos órgãos de defesa do consumidor. O valor poderá ser devolvido em dobro e corrigido monetariamente.

Confira também nossos posts anteriores sobre o assunto: O que os financiamentos de veículos escondem: (2) A TAC – Tarifa de Abertura de Crédito, O que os financiamentos de veículos escondem: (1) A Taxa de Retorno, Financiamentos de veículos escondem taxas abusivas, O que os financiamentos de veículos escondem: (3) A Tarifa de Emissão de Boleto, O que os financiamentos de veículos escondem: (4) A Tarifa de Liquidação Antecipada e Eles continuam cobrando sim! e O que os financiamentos de veículos escondem: (5) O Seguro de Transporte de Documentos.

Por Fernanda Guimarães

Walmart não entrega o pedido, cobra e não devolve o valor

Hoje decidi abrir processo junto ao PROCON e ao Juizado Especial Civil contra o supermercado Nacional (do grupo Walmart). Em breve, faremos um post bem detalhado de como você poderá, sozinho, reclamar nas “Pequenas Causas”. Um passo a passo infalível! Prometo.
Resumindo minha infeliz experiência com a loja online do Nacional

No dia 01/12/2010, organizei um jantar do escritório para receber amigos, palestrantes e organizadores da Expo Money, sendo que, para este evento, resolvi fazer as compras online das bebidas. Particularmente não gosto do atendimento do Walmart já nas lojas, mas é o único supermercado que atende pela internet pedidos aqui em Porto Alegre. Resolvi arriscar e fiz a compra no dia 29/11/2010, mas me arrependi muito. As compras, que estavam agendadas para chegar entre 13 e 17 horas, simplesmente não apareceram. Liguei insistentemente para o telefone de atendimento sem sucesso. Uma hora antes do evento, marcado para às 21 hs, pedi que uma funcionária saísse correndo para conseguir um mínimo de bebidas para que o transtorno não fosse ainda maior. Ficou bastante prejudicado o jantar, pois não foi possível comprar alguns dos produtos necessários.

No dia seguinte, entrei em contato com o Walmart pedindo explicações sobre o ocorrido e solicitando o óbvio cancelamento do pedido. Fui informada de que o “sistema deles” falhou e não “gravou” nenhum pedido feito, ou seja, muitos outros consumidores ficaram na mão assim como eu. Para piorar, somente consegui o código de cancelamento no dia 02/12/2010, cujo número é 1693658. Contudo, conforme consulta no site do Nacional, o status do pedido permanece como “entregue ao cliente”.

Então em 04/01/2011 enviamos uma notificação formal com AR (Aviso de Recebimento dos Correios), que foi devidamente recebida e, passados 37 dias da data de entrega do documento, não foi feito nenhum contato por parte da empresa.

Ou seja, mesmo ciente de que o pedido não foi entregue, havendo protocolo de cancelamento por telefone e tendo recebido pedido formal de devolução, o Walmart continua com o meus R$ 87,23 que paguei através do meu cartão VISA. 
Devolução em dobro em caso de cobrança indevida
Em caso de cobrança indevida, o consumidor deve exigir a devolução dos valores em dobro. E é isso que já fiz no pedido escrito. Segundo o parágrafo único do artigo artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor, a devolução, além de ser feita em dobro, deve agregar ainda juros e correção monetária. Assim, quem enfrentar esse problema deve, primeiro, procurar a empresa e, se não obtiver êxito, recorrer aos órgãos de defesa do consumidor. 

Sabendo que é indevida a cobrança e existindo a possibilidade de não fazer o pagamento, o consumidor que optar por deixar de pagar, não pode ter seu nome inscrito em cadastros de proteção ao crédito, como o Serasa e SPC. Caso isso aconteça, o consumidor tem direito à indenização por danos morais.

Por Fernanda Guimarães